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PRINCESINHA DE FAVELA: PRODUZINDO NA PERIFERIA, PARA A PERIFERIA

06/03/2021

Compondo a programação especial do Mês da Mulher no CCBJ, o projeto Princesinhas de Favela é idealizado por quatro mulheres que dão o destaque e valor que a cultura periférica merece.

Nascido da vontade de levar identidade e cultura das periferias pro mercado audiovisual de Fortaleza, o coletivo Princesinha de Favela surgiu quando a idealizadora do projeto decidiu decretar uma entrevista de emprego como a gota d’água depois de tantas recusas racistas que sofreu no mercado de trabalho do mundo da moda.

Helen de Sá, de 28 anos, moradora do bairro Jangurussu que trabalha com maquiagem há 4 anos, relata que a justificativa dada pela recrutadora durante a entrevista, foi que as clientes do estabelecimento não iriam querer ser atendidas por uma pessoa que passa uma imagem “agressiva” e que precisa de “atendimento psiquiátrico”. O acúmulo de episódios como esse alimentou a ideia que Helen sempre quis colocar em prática: fundar seu próprio projeto, exaltando a cultura da favela e a beleza de quem vive nas periferias.

O coletivo Princesinha de Favela, nascido em 2018, teve seu nome inspirado num forró que virou brincadeira entre as idealizadoras do projeto, amigas de Helen. Hoje, o projeto é composto por Georgia Pinheiro, 23 anos, moradora do Jangurussu, produtora e diretora hair do projeto, Thais Rodrigues, ou Ruivinha, como é conhecida entre amigos, de 22 anos e também moradora do Jangurussu, trabalhando na produção executiva, e Flávia Almeida, de 26 anos, moradora da Granja Portugal, no Grande Bom Jardim, atuando como fotógrafa no projeto.

Ruivinha conta que os primeiros ensaios do projeto eram feitos na base do improviso: equipamentos, maquiagens e produtos de cabelo emprestados, com todos os processos de produção iniciando dentro da casa das idealizadoras, sem dinheiro para arcar com a refeição dos envolvidos. As gravações e fotografias acontecem dentro das comunidades, com as moradoras do território atuando como modelos, o que também acabou contribuindo para a carreira e portfólio de todas.

“É um processo muito intenso, porque a gente passa o dia todo fazendo a produção, a maquiagem demora muito e as fotos também eram muito demoradas” conta Flávia, sobre como era produzir para o projeto. Flávia Almeida é artista visual e boa parte dos seus estudos em comunicação, fotografia e audiovisual foram no CCBJ. 

Com o tempo, o projeto ganhou proporções gigantescas e, vendo a inegável qualidade do material que estava sendo produzido, surgiu a vontade e oportunidade de oficializar o projeto dentro do mercado de moda/audiovisual de fortaleza: em fevereiro, o projeto lançou sua primeira campanha como Produtora de Fotografia/Audiovisual/Moda. Aprovado em um dos editais disponibilizados pela Lei Aldir Blanc, o Princesinha de Favela conseguiu tocar uma produção com direito a equipamento e materiais próprios e finalmente puderam oferecer remuneração para todos os envolvidos na produção.

“A gente filmava em meio à praça pública, colocando os materiais em cima dos bancos das praças, era se ajudando assim. Então esse processo em que a gente pode aprender com as nossas práticas, como se diz, ‘na tora’, ensinou muito à gente o que a gente quer fazer a partir de agora. Acho que a gente sempre foi uma produtora audiovisual, a gente só não sabia disso”, conta Helen.

Segundo Helen, a produtora quer realizar projetos com o objetivo de dar visibilidade ao trabalho de moradores da periferia, buscando uma brecha no sistema que marginaliza essa enorme parcela da nossa sociedade, além de trabalhar a autoestima dos meninos e meninas da favela que atuam como modelos. 

A Princesinha de Favela se lançou, é uma produtora potente e com uma qualidade incrível. Um projeto social que nasceu dentro da periferia de Fortaleza hoje está inserido oficialmente no mercado audiovisual graças à Lei Aldir Blanc e ao talento gigante de todas as pessoas envolvidas. O CCBJ tem orgulho de poder formar e capacitar mulheres para que elas possam produzir projetos como esse, cheios de potencial, qualidade e significado dentro do Grande Bom Jardim e em todas as periferias de Fortaleza.


SERVIÇO:

Princesinha de Favela: produtora de moda, audiovisual e fotografia.

Instagam: https://www.instagram.com/projetoprincesinhadefavela/ 

Contato: através das mensagens diretas do instagram ou pelo e-mail princesinhadefavelaarte@gmail.com 

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