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Programa de Acessibilidade do Centro Cultural Bom Jardim pauta luta anti capacitista no Grande Bom Jardim

18/03/2024

Desde 2020, o Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) atua com atividades acessibilizadas em Língua Brasileira de Sinais (Libras), com tradutores/es e intérpretes vinculados à sua Assessoria de Comunicação, ações afirmativas inseridas nas chamadas públicas e atividades de formação sobre acessibilidades através da Escola de Cultura e Artes (ECA/CCBJ). No mesmo ano, a ECA buscou qualificar a demanda de acessibilidade em seu escopo de formação por meio da criação do Programa de Acessibilidade

“A acessibilidade passou a ser compreendida dentro da Escola de Cultura e Artes, não apenas no sentido de acesso e permanência das pessoas com deficiência aos espaços formativos voltados para arte e cultura, mas também como metodologia dentro dos percursos formativos da escola”, afirma Raiany Araújo, assistente pedagógica do Programa de Acessibilidade da Escola de Cultura e Artes do CCBJ

Programa de Acessibilidade para além dos muros do Centro Cultural Bom Jardim

Com o intuito de expandir o alcance de público e pautar a acessibilidade dentro e fora do CCBJ, o Programa de Acessibilidade da Escola de Cultura e Artes do equipamento tem construído parcerias com instituições que já pautam a temática e que são referência para o público de pessoas com deficiência. Entre os cinco cursos do Programa de Acessibilidade que estão em vigência, quatro são realizados em parceria com outras entidades.

Os cursos de Audiovisual e Audiodescrição Para Crianças e de Desenho e Produção de Quadrinhos em Libras são respectivamente realizados em parceria com o Instituto Hélio Góes e com a Escola Bilíngue Francisco Suderland Bastos Mota. Introdução a Informática Educativa e Tecnologias Assistivas é uma formação desenvolvida em conjunto com o Programa de Cultura Digital da ECA, voltada para pessoas cegas. Introdução a Libras Básico Para Atendimento Ao Público é viabilizado em parceria com a Casa AME, espaço do Movimento Saúde Mental, e Acessibilidades, Libras e Criatividade é um curso voltado para formação de profissionais da Escola, a fim de fortalecer seu compromisso com a acessibilidade atitudinal.

A assistente pedagógica do Programa de Acessibilidade do CCBJ destaca também a parceria com a Escola Estadual de Educação Profissional Joaquim Nogueira.  Em 2023, o Programa de Acessibilidade recebeu três estudantes da instituição de ensino, os formandos do curso técnico de Tradução e Interpretação de Libras Liana Daira, Sofia Alves  e Vinicius Lima,  para realização de seus estágios técnicos na Escola de Cultura e Artes. 

“Foi um trabalho lindo, desenvolvido por estagiários/as em sua atuação como profissionais Tradutores/as e Intérpretes de Libras (TILs) na área artística e cultural, realizando atividades de tradução em Libras dos espetáculos de dança, teatro e música, construindo junto conosco a acessibilidade estética em nossas ações artísticas, além da atuação em sala de aula diante da presença de alunos/as e/ou professores/as surdos/as”, declara Raiany Araújo.

Transversalidade entre os programas da Escola de Cultura e Artes

Nos últimos meses, contabilizando o período entre maio de 2023 e março de 2024, o Programa de Acessibilidade cumpriu 150 horas/aula por formações em recursos de acessibilidade e 391 horas/aula em ações formativas sobre acessibilidade, realizadas em transversalidade com os demais programas da ECA.

“Tratar de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência é um diálogo extremamente necessário uma vez que pcd’s também estão nas periferias”, alerta Vitória Sâmea, supervisora do Programa de Acessibilidade da ECA/CCBJ. Trabalhando a acessibilidade em um território periférico como o Grande Bom Jardim, o Programa tem realizado um mapeamento do público de pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes, moradoras do território ou proximidades.

A medida, feita por meio dos formulários socioeconômicos aplicados durante a inscrição nos cursos da Escola de Cultura e Artes do CCBJ, é uma forma de aproximar o público de pessoas com deficiência do equipamento, aumentando a efetividade da divulgação dos cursos da ECA, o que, conforme Raiany Araújo, “tem como objetivo a fruição artística e protagonismo das pessoas com deficiência” na instituição.

Segundo Raiany, o Programa de Acessibilidade passou a compor a ECA/CCBJ, ao lado dos programas voltados para linguagens artísticas diversas, devido à demanda de construir uma cultura anti-capacitista no campo das artes, ampliando as discussões relacionadas à acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência (PcD). Facilitando o acesso de PcD às formações dos programas de Audiovisual, Cultura Digital, Dança, Música e Teatro, a Escola de Cultura e Artes busca fortalecer a arte, a cultura e a luta anti-capacitista, através da atuação permanente do Programa de Acessibilidade.

A fim de aliar formação em áreas artísticas e acessibilidade, a ECA passou a oferecer, conforme a assistente pedagógica, “percursos formativos que orientassem artistas, alunos/as da escola, produtores/as, professores/as, gestores/as e agentes culturais na busca pela aplicabilidade e garantia de políticas culturais de qualidade para pessoas com deficiência”, levando a pauta da acessibilidade para além do comprometimento com as políticas públicas de inclusão cultural e inserindo-a como parte do fazer artístico.

Política e pedagogia: educação e acessibilidade na Escola de Cultura e Artes

Sob a perspectiva de que para estabelecer uma luta contra o capacitismo é necessário construí-la junto de pessoas com deficiência, surgiu o “Nada Sobre Nós Sem Nós”. Realizado em quatro edições até então, o percurso formativo do Programa de Acessibilidade pauta questões relacionadas ao protagonismo de pessoas com deficiência por meio da realização de ações de formação e de debate.

“Sendo uma Escola imersa dentro dos processos formativos em artes, para alcançarmos uma cultura anti-capacitista, precisamos que a acessibilidade seja uma metodologia, uma prática e uma implicação constante”, diz Raiany Araújo. Pensando nisso, em 2023, os cursos dos Ateliês de Produção, por exemplo, passaram por um módulo de formação em acessibilidade, no qual as turmas foram introduzidas a discussões sobre recursos de acessibilidade. 

Raiany conta ainda que no evento de culminância do “Nada Sobre Nós Sem Nós” de 2023, a turma do curso de Ateliê de Produção Cultural e Realização de Eventos realizou uma atividade prática, trabalhando com artistas com deficiência e/ou neuro diversos. Posteriormente, os alunos relataram um despertar para a avaliação da acessibilidade nos equipamentos culturais, inclusive compreendendo que o Centro Cultural Bom Jardim não é um espaço que dispõe de acessibilidade arquitetônica – fator considerado um grande desafio para a equipe do programa.

Ainda que haja adversidades, desde sua criação, o Programa de Acessibilidade busca promover as pautas relacionadas à inclusão e autonomia de pessoas com deficiência em todo o equipamento, transpassando os programas da Escola e os outros setores do CCBJ. “Ainda em 2020, pensando trazer formações sobre os recursos de acessibilidade, a ECA propôs formações direcionadas para acessibilidade comunicacional, como cursos de Libras (Língua Brasileira de Sinais), que segue até hoje sendo um dos cursos com grande procura de inscrição pela comunidade”, relata a assistente pedagógica do Programa de Acessibilidade.

A Escola também dispõe de profissionais tradutoras/es intérpretes de Libras para atendimento de pessoas surdas, realizado com agendamento de horário via formulário, oferecendo retirada de dúvidas sobre os cursos disponíveis, inscrições, matrículas ou outros atendimentos de dúvidas referentes à Escola de Cultura e Artes. Além disso, as atrações artísticas que movimentam o equipamento contam com tradução em Libras da equipe de Comunicação do CCBJ.

O Programa de Acessibilidade também reforça seu papel enquanto agente na busca por equidade na participação do Comitê da Diversidade do Instituto Dragão do Mar, cujo um dos representantes é a supervisora do Programa de Acessibilidade. Ao lado de outros representantes de equipamentos da Rede IDM, o Programa se dispõe a “propor, indicar e discutir ações voltadas para as políticas afirmativas que corroborem com o direito das pessoas com deficiência no âmbito artístico e cultural”, conforme afirma a equipe.

“É indiscutível que [o Programa de Acessibilidade] muito tem agregado no fazer artístico dos nossos estudantes”, declara Vitória Sâmea. Para a supervisora do Programa de Acessibilidade, o papel central do programa é fortalecer espaços e ações de respeito à diversidade, pautando a acessibilidade por meio de formações nos mais diversos campos, como recursos de acessibilidade (Libras, legendagem, audiodescrição) e acessibilidade atitudinal, pedagógica, estética e cultural, junto dos mais diversos públicos.

Em sua perspectiva, estruturas excludentes como o capacitismo só podem ser enfrentadas a partir da coletividade e, por isso, a equipe do Programa de Acessibilidade faz votos pelo avanço da pauta em todo o Centro Cultural Bom Jardim a partir da participação comunitária, fazendo da acessibilidade – sobretudo a atitudinal – uma premissa do equipamento.

O Centro Cultural Bom Jardim é um equipamento da Rede Pública de Equipamentos da Secretaria de Cultura do Ceará (Secult CE), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM).


Informe-se sobre acessibilidade atitudinal: Cartilha de Formação em Acessibilidade Atitudinal

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