Nos últimos dois meses, a turma do Extensivo em Audiovisual vivenciou aulas práticas em um outro espaço de formação em Audiovisual de muita relevância na cidade – a Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes. O Curso Extensivo em Audiovisual faz parte da Escola de Cultura e Artes do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), equipamento público da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult Ceará), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM).
A 4ª turma do Curso Extensivo em Audiovisual do CCBJ compõe o Eixo Formativo de Cursos Técnicos e de Extensão, que desenvolve e aprofunda os conhecimentos teóricos, técnicos e práticos em torno da linguagem artística estudada. O Curso é realizado em parceria com o Instituto de Cultura e Arte (ICA) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Para a realização do percurso técnico da turma, o CCBJ realiza atividades no equipamento e em espaços públicos de formação em audiovisual.
A primeira realização da parceria levou a turma para a Vila das Artes em dezembro de 2025, para algumas aulas técnicas do módulo de Fotografia I: Imagem e Câmera de Vídeo ministrado pela diretora de fotografia Linga Acácio. Na ocasião, a parceria possibilitou o acesso aos equipamentos profissionais de vídeo e às colaborações dos técnicos do Núcleo de Produção Digital.
O diálogo para utilização do espaço para o ensino audiovisual do CCBJ está sendo feito com Cris Gonçalves, coordenador da Escola de Audiovisual da Vila das Artes. “Essa articulação não apenas amplia o alcance das ações formativas, como também potencializa a diversidade de olhares, metodologias e experiências pedagógicas”, explica Cris.
Em janeiro deste ano, a parceria se desdobrou para a realização das aulas práticas do módulo Edição I: Montagem e Edição de Vídeo. Para a ex-coordenadora do Programa de Audiovisual da ECA-CCBJ Lívia de Paiva, atualmente professora do módulo de Montagem e Edição de Vídeo, a parceria é de extrema importância para os diferentes territórios de Fortaleza poderem somar com diversos espaços da cidade. “São lugares de elaboração artística e de intervenção no mundo, que, através desse fazer audiovisual, trocam sobre processos pedagógicos e experiências que cada comunidade escolar tem”, relata Lívia sobre a ocupação dos espaços de política pública da cidade.
Potencializando o Audiovisual das Periferias
Patrick Jorge conhecia a Vila das Artes apenas de longe e por amigos próximos, mas nunca havia visitado o local. Foi a primeira vez em que o estudante do Extensivo em Audiovisual teve contato com o espaço e pôde usufruir dos equipamentos ofertados. “Entendi mais do que tem lá de equipamento, realmente pude usar, e eu acho que isso foi a melhor parte”, explica o aluno.
O curso intercala o percurso teórico com o percurso técnico. Atualmente, no CCBJ, a turma está tendo aulas dos módulos Narrativas em disputa II: cinemas trans e travesti, com Sunny Maia e Direção de Arte I: Projeto de Arte com Tais Augusto. “Eu sinto que se tivesse sido só teórico não teria sido tão proveitoso quanto foi, realmente a gente experienciando, vendo e aproveitando mesmo o audiovisual”, conta Patrick.
Quem também está presente na turma é a estudante Mayra Gabi, ela reconhece a necessidade dos equipamentos públicos de cultura manterem diálogos de formação e circulação. “Acho muito importante fazer trocas e acessar outros equipamentos de cultura e educação, principalmente porque estamos em formação”, aponta Mayra.
“Acredito que agrega na trajetória dos estudantes conhecer e vivenciar os múltiplos espaços formativos e de fomento do audiovisual na cidade de Fortaleza, podendo seguir construindo e usufruindo desses espaços”, diz Elena Meirelles, coordenadora do Programa em Audiovisual do CCBJ.
A partir dessa experiência de partilha, a expectativa é que a parceria se aprofunde com uma rede integrada e contínua. “Podemos gerar novos laboratórios, mostras, intercâmbios e formações especializadas, fortalecendo ainda mais o audiovisual no território”, conta Cris Gonçalves. A integração também estimula a construção de redes profissionais dos estudantes, realizadores, técnicos e gestores culturais. “Como escolas, temos muito a trocar entre nós e muitas possibilidades de nos fortalecer e complementar em nossos projetos pedagógicos e formativos”, explica Elena.
A formação do Extensivo em Audiovisual se encerra em setembro de 2026, com o percurso prático. Nessa etapa, a turma realiza os Projetos Audiovisuais de Conclusão de Curso.
Sobre o Programa de Audiovisual
O programa vem com o compromisso de formar profissionais e artistas, mas também espectadores, ouvintes e leitores críticos, que possuirão as ferramentas necessárias para contarem suas histórias e utilizar a linguagem para visibilizar as mais diversas existências de corpos, opiniões, modos de vida, cosmovisões e expressões identitárias. O ensino de audiovisual na periferia traduz ainda a importância de contestar os estigmas de representação da mesma nos veículos de comunicação hegemônicos, perpetuadora de diversas formas de violência e aniquiladora das possibilidades de existência plural e diversa inerente a qualquer e a toda população.
A articulação parte do Programa de Audiovisual da Escola de Cultura e Artes (ECA-CCBJ) do equipamento com a Escola de Audiovisual da Vila das Artes
0 Comentários
| Deixe um comentário »Deixe o seu comentário!