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ARTISTAS FORMADOS NO CCBJ SE DESTACAM NA CENA DA DANÇA E REAFIRMAM POTÊNCIA DO TERRITÓRIO

30/04/2026

Kew Ajani e Da Silva, egressos do Curso Técnico em Dança, compartilham suas trajetórias e a força da formação em dança no equipamento  Reprodução: Edvania Ayres/Centro Cultural Bom Jardim Kew Ajani e Da Silva, egressos do Curso Técnico em Dança, compartilham suas trajetórias e a força da formação em dança no equipamento  Reprodução: Edvania Ayres/Centro Cultural Bom Jardim
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Em celebração ao Dia Internacional da Dança, comemorado no dia 29 de abril, o Centro Cultural Bom Jardim, equipamento público da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult Ceará), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), apresenta artistas que ganharam destaque nacional e internacional com seus trabalhos. As pessoas entrevistadas fizeram e fazem parte do Curso Técnico em Dança (CTD) do equipamento.

Kew Ajani integrou a segunda turma do Curso Técnico em Dança (CTD) do CCBJ e já levou seus trabalhos a circuitos internacionais, enquanto Da Silva, da turma atual, também atua no coletivo Rep Nazarea. Realizado no Centro Cultural Bom Jardim, um equipamento público de base comunitária, situado na periferia de Fortaleza, o CTD propõe uma imersão no fazer-pensar da dança, formando artistas capazes de atuar como intérpretes-criadores(as). A formação articula saberes práticos e teóricos, conectados aos contextos artísticos, culturais e sociais contemporâneos. 

As capacitações são realizadas pelo Programa de Dança, da Escola de Cultura e Artes do equipamento. Além do Curso Técnico em Dança, o CCBJ possibilita aos estudantes a possibilidade de dar início aos seus estudos por meio da Formação Básica, que trabalha os princípios fundamentais da linguagem com duração de seis anos. 

Kew Ajani em Voo

Reprodução: Mar Pereira/Centro Cultural Bom Jardim

Inspirada a dançar desde muito cedo, Kew Ajani acompanhava a irmã nas danças de salão, forró e samba gafieira. Aos 9 anos, ingressou no ballet e, aos 12, conheceu as danças urbanas. “Em projetos sociais do meu bairro, foi lá que entendi o que eu amava fazer e decidi continuar fazendo aulas e me qualificando, foi aí que descobri o Curso técnico em dança no CCBJ”, explica Kew. 

Em 2019, a artista ingressou na segunda turma do Curso de Técnico em Dança do CCBJ, realizado em parceria com a Porto Iracema das Artes. A formação técnica possibilitou ampliar o seu olhar profissional, dialogando com teoria, prática e sensibilidade em seus trabalhos. “Um momento marcante na minha vida foi quando pude apresentar na Mostra Pulsar de 2023 o ‘KNUF-BR’, um trabalho autoral sobre a visão da dança funk brasileira na perspectiva e no rigor cênico”, conta a dançarina.

No cenário internacional, Kew participou de uma imersão em arte urbana em Paris, na França. Também esteve nos Estados Unidos, onde realizou uma residência artística em Nova York, aprofundando seus estudos em dança. Além disso, integrou processos de preparação para mostra artística na Finlândia, fortalecendo sua inserção em circuitos culturais internacionais. 

A experiência profissional da artista é marcada pela participação coletiva nos processos de dança do CCBJ e pelos professores que contribuíram em sua trajetória estudantil. “Conhecer outras culturas de outros países me trouxe ainda mais pertencimento e orgulho da nossa cultura do Brasil. E o CCBJ foi essencial com o CTD, me dando visão profissional, mas reforçando, principalmente, uma visão humana da dança como arte e sustento”, relata Kew. 

Da Silva e os passos das Ruas

Reprodução: Mar Pereira/Centro Cultural Bom Jardim

Michael Jackson, Sandra de Sá, Chaka Khan e Tim Maia, esses eram os sons que tocavam na casa de Delberth Augusto. Dessa influência pela música preta pelos seus pais, Da Silva, como é conhecido, ingressou na cena da dança e do hip-hop, se aproximando do breaking aos 12 anos de idade. Mas foi apenas em 2019 que o artista participou de um curso de dança, o curso de Introdução às Danças Urbanas foi ofertado pelo CCBJ, tendo como facilitador Ézio Flor.

“Dali não larguei mais. Formamos o Street Balance Crew, um coletivo de pesquisa após o curso, e seguimos estudando juntos a cultura hip-hop e outras danças da diáspora africana”, conta Da Silva. Dessas articulações, o artista participou da Companhia de Dança da Rede Cuca, que culminou no Coletivo Muvuca, onde apresentaram espetáculos no CCBJ e em outros espaços da cidade. O Coletivo trazia as aproximações das danças afro-diaspóricas norte-americanas com a cultura popular brasileira.

Da Silva retornou às capacitações do CCBJ pela 3ª Turma do CTD, iniciada em 2024. “Posso dizer que, se hoje estou participando deste curso, é por conta de uma grande rede de apoio que viu em mim algo maior do que eu imaginava”, reflete. Em uma jornada autodidata, o dançarino reconhece a democratização do ensino ofertada no CTD como caminho para compreender dimensões territoriais e socioculturais enfrentadas na cidade e transformá-las por meio da dança.

Dessa compreensão foi que Da Silva retornou ao Grande Bom Jardim para ministrar atividades socioculturais e artístico-formativas a partir do que está aprendendo durante o percurso técnico. Com um território pulsante de cultura, o artista, com outros articuladores, construiu o coletivo independente Rep Nazarea, que realiza atividades formativas e culturais. “Ao invés de levar a periferia para a arte do centro, trouxemos a arte do centro para  a periferia”, explica.

Mosaico de Sucessos

A formação em dança no CCBJ se destaca por potencializar o cenário artístico da periferia da cidade. Além dos alunos, o corpo docente é formado majoritariamente por pessoas negras e dissidentes, que carregam e são referência e profissionalizam os cursos ofertados. “É muito gratificante ter aulas e trocas com pessoas que parecem comigo, entende? Agradeço muito a Tyê Macau, Deborah Santos, Rubéns Lopes, Luzia Amélia, Wilemara Barros e Doroteia Ferreira pela formação”, relata Da Silva.

O equipamento também fomenta a participação coletiva nas produções artísticas e culturais, auxiliando na circulação dos espetáculos para outros espaços da cidade. Para a Formação Básica em Dança, os espetáculos coletivos são celebrações da finalização de ciclo formativo. FAVELA: O BOOM DO VIXXI foi a primeira performance produzida coletivamente pelas turmas, realizada em 2023, trazendo as potências do Grande Bom Jardim. Em 2026, o espetáculo Maranguapinho cruza memórias e narrativas do rio por meio da dança.

“A grande maioria da turma topou executar o ‘KNUF-BR’ e isso para mim foi uma parte bem linda e importante do CTD”, relembra Kew Ajani. Outros artistas que ingressaram no Curso Técnico em Dança também ganham a cena artística da cidade e as expandem para outros horizontes. Como a rapper e DJ Cabulosa e as bailarinas Maria Epinefrina e Thácila Morena.

O Programa de Formação em Dança do CCBJ foi criado a partir da consolidação dos cursos básicos de dança, oferecidos desde 2007, com o propósito de ampliar o acesso aos saberes da dança para a comunidade do Grande Bom Jardim. Com a criação da Escola de Cultura e Artes do equipamento, em 2017, o programa expandiu suas atividades, criando o Curso Técnico em Dança. Todos os percursos formativos são gratuitos e abordam elementos da dança, técnicas corporais, corpo e expressividade. 

Reprodução: Jordão Fernandes/Centro Cultural Bom Jardim

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