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RIO MARANGUAPINHO É TEMA DE ESPETÁCULO DE DANÇA DO CCBJ

19/01/2026

A apresentação ocorre nos dias 21 e 22 de janeiro, no Theatro José de Alencar e é realizada pelo Programa de Dança do Centro Cultural Bom Jardim A apresentação ocorre nos dias 21 e 22 de janeiro, no Theatro José de Alencar e é realizada pelo Programa de Dança do Centro Cultural Bom Jardim

Buscando reconstruir as histórias e afetos das comunidades do Grande Bom Jardim, o espetáculo Maranguapinho cruza memórias e narrativas do rio por meio da dança. A apresentação acontece nos dias 21 e 22 de janeiro no Theatro José de Alencar (TJA), e é protagonizada por crianças e jovens do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), equipamento integrante da Rede Pública de Espaços e Equipamentos Culturais (Rece), da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará) e gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). O espetáculo é gratuito e contará com recursos de audiodescrição e interpretação em libras. 

A produção é resultado do processo formativo das turmas da Formação Básica de Longa Duração em Dança da Escola de Cultura e Artes do CCBJ. Entre caminhos e descaminhos, o rio Maranguapinho, principal afluente do rio Ceará, atravessa um de seus ciclos mais críticos: poluído e esquecido. A partir dessa reflexão, professores e estudantes embarcaram em um exercício poético de narrar a história deste rio por meio da dança. “Então o espetáculo aponta muito para uma urgência de impacto ambiental muito real, há um racismo ambiental muito iminente”, explica Jonatas Joca, professor e um dos diretores de Maranguapinho.

“Percebemos que o Maranguapinho é uma resistência em relação à própria natureza pedindo socorro. Antes de a gente chegar ali, o rio já existia”, aponta a professora Doroteia Ferreira, que dirige o espetáculo junto com Joca. A performance conta a história de familiares da comunidade que possuem uma outra memória do Maranguapinho. 

“A maioria das meninas conheciam o que está ao lado do nosso equipamento como canal de sujeira, não conhecia o rio Maranguapinho” conta a professora. Com o relato de familiares, a direção conectou as turmas com o tema, através das oralidades, das histórias e das sensações para estimular as memórias e identidades locais. 

O espetáculo também abre portas para jovens se apresentarem pela primeira vez no Theatro. Com a presença de familiares e toda a equipe técnica, Maranguapinho envolve as turmas, as comunidades e o CCBJ. A construção da trilha sonora reúne vozes de moradores do território, como Rogério Costa, Benedita Vitória, Bilinha, Maria Imaculada e Maria Gorete. A cenografia do espetáculo apresenta materiais de forte valor histórico para o rio e para a comunidade do Grande Bom Jardim e foram pensados em parceria com o Núcleo de Articulação Técnica Especializada (NArTE) do CCBJ. “Então o espetáculo tem uma coisa meio esponja, ele bebe das diversas narrativas possíveis”, menciona Joca.

Fortalecendo a formação em dança na periferia

O Programa de Formação em Dança do CCBJ foi criado a partir da consolidação dos cursos básicos de dança, oferecidos desde 2007, com o propósito de ampliar o acesso aos saberes da dança para a comunidade do Grande Bom Jardim. Com a criação da Escola de Cultura e Artes do equipamento, em 2017, o programa expandiu suas atividades, criando o Curso Técnico em Dança. Todos os percursos formativos são gratuitos e abordam elementos da dança, técnicas corporais, corpo e expressividade

A Formação de Longa Duração tem duração de 6 anos e impacta mais de 120 crianças, adolescentes e suas famílias, a partir do processo de aprendizagem e do acesso às políticas públicas do Estado do Ceará. No espetáculo Maranguapinho, o elenco é formado por estudantes de 10 turmas, do 2º ao 6º ano de formação, com idades entre 7 e 17 anos.

Ao realizar a estreia no Theatro José de Alencar, outro equipamento público da Rece, o Maranguapinho promove uma ação em rede. A iniciativa também viabiliza que jovens artistas tenham a experiência de se apresentarem nesta Casa histórica, além de alcançar também familiares e outras pessoas da comunidade, que vão assistir o espetáculo.

Além da Formação Básica, o CCBJ possibilita aos estudantes seguirem o estudo em dança através do Curso Técnico em Dança, que forma intérpretes-criadores na área. O curso tem duração de 2 anos, com certificação de nível médio pelo Ministério da Educação (MEC). Além disso, também há os Laboratórios de Pesquisa do equipamento. Espaço de pesquisa e criação em dança, para investigação cênica e produção de conhecimentos ligados à linguagem.

Os espetáculos coletivos são celebrações da finalização de um ciclo da Formação Básica. FAVELA: O BOOM DO VIXXI foi a primeira performance produzida coletivamente pelas turmas, realizada em 2023, trazendo as potências do Grande Bom Jardim. Com Maranguapinho, o elenco aborda ecologia, racismo ambiental, consciência social e política, pertencimento, ancestralidade e a identidade das comunidades à margem do rio.

Os Caminhos do Rio

Eunira Lacerda é uma das moradoras do território que tem sua história atravessada pelo afluente. Vinda de Acopiara, chegou ao Grande Bom Jardim em 1987, acompanhada da filha. À época, não havia água encanada e nem energia elétrica, o que fazia com que Eunira utilizasse a água do Maranguapinho para a lavagem de roupas. “Quando colocaram o primeiro esgoto dentro do rio, tive que parar de lavar roupa lá. Ainda assim, sou testemunha do Maranguapinho e espero que o espetáculo ajude a reconstruir a memória do rio”, relata.

Quem integra o elenco do espetáculo é sua neta, Agatha Eloá, de 9 anos de idade. Ao lado dela, 115 crianças e jovens compõem a apresentação. Entre ensaios e um processo de construção coletiva que envolve corpo e voz, a expectativa é que a realidade do rio seja apresentada como um espaço vivo e dançante, evidenciando a necessidade de uma transformação política efetiva para as comunidades que vivem em seu entorno.

Letícia Santos, embora frequente o CCBJ desde os 7 anos de idade, não sabia que o canal ao lado do equipamento era o rio Maranguapinho. “É assim que a gente escuta e aprende sobre o rio, mas quem realmente sabe é quem viveu naquela época”, afirma. A descoberta da memória deste espaço surgiu ao longo do processo de criação do espetáculo, a partir da escuta dos relatos de moradores mais antigos, que testemunharam a vida do rio.

“Queremos mostrar que o Rio Maranguapinho sempre vai existir, independentemente das alterações que aconteçam ao longo do tempo. Ele nunca vai deixar de ser o Maranguapinho”, afirma a estudante do Curso Técnico em Dança do CCBJ.

A estreia do espetáculo estimula crianças, jovens e adolescentes a habitarem processos de criação artística em dança. Reprodução: Mar Pereira / Centro Cultural Bom Jardim

Serviço:

Estreia do Espetáculo Maranguapinho

Dias 21 e 22 de janeiro, às 19 horas

Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 – Centro, Fortaleza – CE)

Entrada Gratuita

Livre para todos os públicos
Acessível em Libras e Audiodescrição

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