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Centro Cultural Bom Jardim

O Centro Cultural Bom Jardim e sua peleja no pulsar de luta pela cultura

A partir da crença de que a arte é essencial potência para a transformação da vida, o Centro Cultural Grande Bom Jardim – CCBJ representa hoje uma política cultural estadual bastante referenciada que fervilha no Grande Bom Jardim – GBJ, uma importante periferia da cidade de Fortaleza composta por cinco bairros (Bom Jardim, Granja Lisboa, Granja Portugal, Siqueira e Canindezinho), centrando-se cada vez mais nos processos descentralizados de formação, pesquisa e criação artística, bem como de ação cultural e atenção social. Busca-se tornar uma exemplaridade de política pública no campo das artes e da cultura no Ceará e até para além dele.

Como uma genuína política pública, nasceu da demanda popular, a partir da luta dos movimentos sociais e culturais do GBJ, portanto uma política cultural de base comunitária, e busca, cada vez mais inspirado pelas experiências das instituições parcerias e alinhado às demandas locais, desconstruir estigmas, repaginar as notícias sobre o território. A partir de 2017, atualiza-se o acúmulo das realizações de gestões passadas em estreito diálogo com o Fórum de Cultura do Grande Bom Jardim – FCGBJ, congrega-se os anseios de alunos(as), artistas, produtores(as) e frequentadores(as) do centro cultural, o que originou a implementação da Escola de Cultura e Artes, a consolidação e fortalecimento do Programa de Ação Cultural e a criação estratégica da atenção social no equipamento, realizada através do Núcleo de Articulação Técnica Especializada – NarTE, que conta com equipe multidisciplinar para dar vazão às demandas psicossociais do público beneficiado, bem como de atividades arte-educativas versando sobre os direitos humanos. Com impacto não apenas na amálgama profissional dos atores e atrizes sociais do GBJ e entornos, como do próprio resgate da autoestima – por meio da conglomeração de ações e difusões culturais que relevem o território criativo, artístico e, pela experiência dos diversos coletivos, ONG’s e processos de lutas comunitárias, faz desta região um celeiro de apropriação do capital cultural da comunidade como meio de desconstrução dos processos de exclusão social.

O centro cultural busca a recolocação da ação do Governo do Estado do Ceará na promoção emancipatória da diversidade das expressões culturais e no fortalecimento do mercado dos bens culturais. A economia cultural faz parte de uma melhor valorização e difusão dos direitos culturais. Aqui, portanto, as trocas simbólicas e a manifestação do capital cultural estão para além da profissionalização, possibilitando mesmo uma exaltação poética da existência.

Parte-se do princípio que, para cumprir com o objetivo, é necessário que os cursos e programações oferecidos à população tenham continuidade, sejam cada vez mais aperfeiçoados e ampliados e não se limitem apenas ao aprendizado técnico, mas que sejam capazes de criar redes socioculturais capazes de promover a cidadania cultural, pela sua própria natureza de centro cultural comunitário, e que signifiquem uma experiência na qual estejam contempladas as três dimensões da cultura: simbólica, cidadã e econômica.

Por se tratar, portanto, de um espaço voltado para criação, formação, produção, circulação, difusão cultural e atenção social, o CCBJ é um bom exemplo de iniciativas que vem transformando a realidade do território. Revela-se, por conseguinte, como um marco nas políticas culturais cearenses. O primeiro espaço cultural público estadual da cidade fora do corredor turístico e cultural de Fortaleza, sendo assim uma intervenção ímpar de democratização do acesso à cultura. Desde sua inauguração, o espaço recebe anualmente mais de 50 mil pessoas; beneficia em torno de 4 mil artistas/produtores(as), o que vislumbra a facilitação na promoção de inserção e/ou fortalecimento no/do mercado cultural, promovendo trabalho e renda para esta população; temos em média 3 mil alunos(as) formados(as) e cerca de 200 professores(as) contratados(as) a cada novo ciclo de projetos do CCBJ, o que também fortalece o trabalhador(a) da cultura; possuímos mais de 60 instituições de ensino, sociais e culturais parceiras, corroborando para o fortalecimento e maior capilaridade das ações, bem como representa uma das formas de certificarmos a credibilidade e seriedade institucional; e realizamos mais de 10 mil atendimentos no campo arte-educativo e de articulação com a rede socioassistencial.

Importante salientar que a atuação do CCBJ extrapola as fronteiras do território prioritário de ação, propiciando circulação de processos e produtos advindos dos cursos para além do território do Grande Bom Jardim, seguindo pela cidade de Fortaleza e sua Região Metropolitana, bem como já estivemos em outros municípios do interior do Ceará, como Itapipoca, Redenção e Cascavel. Com o advento da pandemia por COVID-19, as fronteiras do alcance da programação geral, que migrou para o campo remoto/virtual devido necessidade de isolamento social, alargaram chegando a 15 estados brasileiros, 31 cidades fora do Ceará, 18 municípios cearenses e em 96 dos 121 bairros da capital Fortaleza, onde está a sede física do CCBJ.

O Centro Cultural Bom Jardim, como política cultural de relevante impacto social, tem resistido mediante a vontade política da atual gestão governamental, que busca acolher cada vez mais as demandas do FCGBJ e dos movimentos artísticos e socioculturais, apesar do contexto geral de desmonte das políticas públicas e insistentes tentativas de descaracterizar a cultura e as artes enquanto essenciais vetores de desenvolvimento socioeconômico e, portanto, potentes impulsionadoras da transformação social.

Imagem de Trícia Matias de Oliveira (Gestora Executiva)
Trícia Matias de Oliveira
Gestora Executiva