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LABORATÓRIOS DE PESQUISA 2025: CCBJ INICIA AS ATIVIDADES DOS PROJETOS

Novos projetos de pesquisa nas linguagens de Audiovisual, Cultura Digital, Dança, Música e Teatro estão a florescer no Grande Bom Jardim. O Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) integra a Rede Pública de Espaços e Equipamentos Culturais (Rece) da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerido em parceria Instituto Dragão do Mar (IDM). As atividades dos Laboratórios de Pesquisa de 2025 iniciaram no dia 14 de novembro e a cerimônia de abertura contou com a apresentação da Dj Miloca, conectando o momento ao Festival A Coisa Tá Preta.

Os Laboratórios de Pesquisa são organizados pela Escola de Cultura e Artes (ECA-CCBJ), proporcionando experiência imersiva dedicada à pesquisa em artes. Os 10 projetos selecionados têm direito a auxílio financeiro de R$15.000,00 (quinze mil reais) e acompanhamento de um(a) professor(a) mediador(a). A seleção recebeu 73 inscrições e o processo contou com uma banca de pareceristas, com representações da gestão compartilhada e do IDM.

Com vigência de cinco meses, a pesquisa permite a experimentação de metodologias e a investigação de temas e formatos pertencentes aos saberes e fazeres de cada linguagem artística. Os laboratórios são organizados em cada eixo temático da ECA-CCBJ: Audiovisual, Arte Digital e Jogos, Dança, Música e Teatro. Foram priorizadas para a seleção pessoas negras, indígenas, quilombolas, LGBTQIA+, com deficiência ou moradores do Grande Bom Jardim.

Olhares Coletivos

Nascido e criado no Grande Bom Jardim, Diego Furtado começou a frequentar o equipamento em 2018. Em 2024, assumiu a supervisão dos Laboratórios de Pesquisa e dos Ateliês de Produção, acompanhando a produção e a pesquisa dos artistas. “Também já pude estar no CCBJ enquanto artista, me apresentando mais de uma vez na Mostra das Artes”, conta o supervisor. 

O momento da abertura foi essencial para apresentar a diversidade temática entre os projetos selecionados. Como é o caso dos projetos musicais que estão em processo de pesquisa de composição. Há projetos de danças sobre a trajetória da cena do hip-hop, que tem relação com a capoeira e outras pesquisas que relacionam corpo, cultura e memória. No Teatro, um projeto que traz um olhar sobre os prédios antigos da cidade e na Cultura Digital, pesquisas sobre reisado e cultura popular. “Eu acho que,nos últimos anos, é o laboratório que mais as temáticas dos projetos se apresentaram diferentes, uma potencialidade muito rica do ponto de vista da pesquisa”, analisa Diego.

A criação do espaço de proximidade ajuda, ao longo do processo, a identificar ideias que abrem diálogos com outras. Intercambiando, materializando e coletivizando os projetos sem que haja a necessidade de entrega de uma obra artística ao final do processo. Ao final do percurso, é destinada uma partilha para a comunidade e para a cidade sobre as pesquisas.

As expectativas para essa edição são que os projetos construídos e as pesquisas desenvolvidas cheguem a outros territórios da cidade. “Um desejo que a gente tem é de circular com essas pesquisas pela cidade, fazer com que a cidade compreenda melhor o laboratório do CCBJ”, explica Diego.

Bom Jardim Caboco

Cordéis Internetantes permanecem fazendo apresentações mesmo após a finalização dos Laboratórios / Reprodução: Centro Cultural Bom Jardim

Edson Oliveira, cordelista e educador popular, participou dos Laboratórios de Pesquisa em 2024, na categoria música, com a pesquisa Cordéis Itinerantes. O objetivo central era o resgate da memória do Bom Jardim por meio da composição de cordéis musicalizados. Junto com Mateus Honori e Pedro Anderson, Edson trabalhou a pesquisa com a colaboração da população, coletando as histórias da forma em que o povo conta rotineiramente.

“Quanto à relação do diálogo com a memória da comunidade, isso foi o mais interessante, porque a pesquisa se deu junto à população. A gente visitou e conversou com muita gente e com a minha própria memória também, porque sou morador do bairro há mais de 40 anos, eu também tenho minhas histórias para contar”, apresenta Edson. 

“A gente transformou essas histórias em cordel. Sou cordelista. E, depois, musicalizamos os cordéis e finalizamos o projeto com o espetáculo, constando todas essas músicas que a gente conseguiu produzir”, explica. Embora o laboratório tenha sido realizado há mais de um ano, a pesquisa ainda está gerando novas apresentações, como no festival Rock Cordel, em abril de 2026, no Centro Cultural Banco do Nordeste. A pesquisa de composição parte em coletivo com o grupo Caixeiros Viajantes. 

Sobre os Laboratórios de Pesquisa


Os Laboratórios de Pesquisa são um dos eixos formativos da Escola de Cultura e Artes do Centro Cultural Bom Jardim, que propõem aos projetos participantes e mediadores uma experiência imersiva dedicada à pesquisa em Artes.A inicitaivavisa oportunizar o surgimento de novas investigações no campo artístico cultural, ou mesmo contribuir para o aprofundamento em recortes específicos de processos artísticos que já vêm sendo realizados.

Tais experimentações poderão surgir de inquietações teóricas ainda não exploradas pelos pesquisadores, ou de processos investigativos já em desenvolvimento,sem que haja a necessidade de entrega de uma obra artística ao final do processo.

O Programa de Audiovisual do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) mostra como a periferia é um espaço de produção cinematográfica, no campo das animações. O curta-metragem “Gatu” foi selecionado para o 6º Festival Internacional de Cinema Escolar de Alvorada. O filme foi realizado pelos estudantes do CCBJ, que integra a Rede Pública de Espaços e Equipamentos Culturais (Rece) da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerido em parceria Instituto Dragão do Mar (IDM). O evento acontece entre os dias 24 e 29 de novembro no Rio Grande do Sul.

O festival teve mais de 1.065 filmes inscritos, vindos de 80 países, Gatu é finalista na categoria Educação de Jovens e Adultos. A premiação e mostra buscam promover o cinema como ferramenta pedagógica, cultural e social. “Gatu” foi produzido em 2023 pela turma de Introdução ao Cinema de Animação do Programa de Audiovisual. 

No filme, Gatu, um gato abandonado, começa a explorar cada canto de seu novo lar, descobrindo aventuras e amigos inesperados. O curta-metragem já foi selecionado na programação da Mostra Cinema e Acessibilidade de Sergipe, realizada em junho deste ano. “Gatu” também estará presente na 23ª MUMIA —  Mostra Udigrudi Mundial de Animação, em Belo Horizonte, de 2 a 12 de dezembro. 

Modelando as Animações do Cinema

Raul Ferreira nunca tinha realizado atividades no CCBJ. Sua primeira experiência foi em 2023 com a turma de Introdução ao Cinema de Animação do Programa de Audiovisual. O curso foi o motor para a produção do curta-metragem “Gatu”, que atualmente concorre a um festival internacional. O curta possui elementos de animação 2D, 3D, manual e stop-motion, além de contar com legendas e interpretações em libras.

Em setembro de 2023, teve a primeira exibição do curta no equipamento, encerrando o Curso Básico de Introdução ao Cinema de Animação. Além do curta, foi apresentado todo o material trabalhado e produzido em sala de aula para a animação. Atualmente, Raul é bolsista do Curso Extensivo de Audiovisual em 2025. O Eixo é voltado para pessoas com experiências artísticas teóricas e práticas anteriores.

O cineasta destaca a importância do CCBJ possuir espaços de produção como salas multiuso e estúdios, fomentando a arte e a cultura da região. “É legal ter um espaço desse dedicado dentro da periferia, que acaba não sendo uma coisa muito acessível para a gente, né? Então, foi bem legal essa experiência”, relata. 

Além de Gatu, o Programa de Audiovisual já produziu as animações “Maré Braba”, de Pâmela Peregrino, “Fotossíntese”, de Rodrigo Viveiro e “ARCAD’ÁGUA”, de Paulo Carter. O festival disponibilizou o curta pelo link “Gatu” – Fortaleza / CE, Brasil

Os elementos utilizados na produção do curta partiram do equipamento / Reprodução: Centro Cultural Bom Jardim

Serviço

O que? Curta “Gatu” produzido pelo CCBJ é selecionado para o XI Festival Internacional de Cinema Escolar de Alvorada.

Onde?  Alvorada, Rio Grande do Sul.

Quando? 24 a 29 de novembro

Onde assistir o curta? “Gatu” – Fortaleza / CE, Brasil

Ficha técnica: Gatu / 6’ / Alvo, Ana Paula, Clarice Nascimento, Joh, Luci, Raquel Souza, Raul F.A., Samia, Thamires / 2023 / Fortaleza

Sobre o Programa de Audiovisual

O Audiovisual do CCBJ tem o compromisso de formar profissionais e artistas, espectadores, ouvintes e leitores críticos, que possuirão as ferramentas necessárias para contarem suas histórias, utilizando a linguagem para visibilizar as mais diversas existências de corpos, opiniões, modos de vida, cosmovisões e expressões identitárias. O ensino de audiovisual na periferia traduz ainda a importância de contestar os estigmas de representação na mídia hegemônica, que reforça  diversas formas de violência, invisibilizando possibilidades de existências plurais e diversas, inerentes a todas as pessoas.

Mergulhados no conhecimento, a juventude periférica potencializa a produção local em competições estaduais. O Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), por meio de sua Escola de Cultura e Artes (ECA-CCBJ), representou o Grande Bom Jardim na 9ª Edição da Feira do Conhecimento (FDC). Com o tema “Planeta Água: a cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”, o equipamento ganhou premiações e reconhecimento em setores digitais e audiovisuais.

Em destaque, o Programa de Cultura Digital marcou presença importante na feira. Além de participar no Espaço Ceará Jogos, com o espaço Jardim de Arte Digital e competições, os estudantes da área receberam o 1º e 2º lugares da primeira Game Jam CE. Os vencedores foram os jogos “O Oceano Começa Aqui” (Equipe BJ Devis) e “Mar a Dois” (Equipe Quintura Digital).

O CCBJ esteve presente durante toda a Feira, ocorrida de 6 a 8 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará, com os Programas de Audiovisual e de Cultura Digital do equipamento. No audiovisual, a FDC contou com a “Mostra Cine Lab BOMJA”, com a exposição “O Grande Bom Jardim, uma história audiovisual” e oficinas de animação.

A ideia da mostra não competitiva de curtas-metragens cearenses era valorizar a produção local e fomentar o audiovisual como instrumento de arte, cultura e educação, e da exposição era trazer como destaque a história do território do Grande Bom Jardim que se faz até hoje através do Audiovisual.

O equipamento também contou com caravanas para levar mais de 130 alunos das turmas. A oportunidade teve apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece) do Governo do Estado do Ceará.

De Caravanas em direção ao Palco

O Programa de Cultura Digital levou parte dos diversos projetos trabalhados nas turmas. Como a exposição “Jardim de Arte Digital”, mostra itinerante de projetos de computação física criados por estudantes do curso de Longa Duração em Cultura Digital. A vontade dos estudantes de permanecer no programa é tamanha que foi criado o Núcleo Criativo de Cultura Digital, formado por egressos que continuam produzindo.

As produções geraram produtos que se transformaram em máquinas de fliperama e jogos interativos. Entre os jogos estavam um de futebol 2D multijogador, dinâmica musical estilo Guitar Hero com guitarra artesanal e uma marreta interativa para amassar marmotas (Whac-A-Mole), além de um jogo de realidade virtual. Todos os projetos de arte digital e jogos apresentados na FDC foram produzidos totalmente com o uso de softwares livres e de código aberto.

Diêgo Barros, coordenador do Programa de Cultura Digital da ECA-CCBJ, explica o engajamento dos estudantes em trabalhar a relação entre o virtual e o real. “Então, tudo isso tem muito fruto do esforço dos estudantes, da vontade de criar a arte deles, com a orientação dos professores. Se não tivesse esse empenho dos estudantes, de que eles querem mostrar que o Bom Jardim faz arte digital, a gente não conseguiria”, reflete o coordenador pedagógico.

O momento mais marcante no evento foi no anúncio dos resultados da 1ª Game Jam CE, uma maratona criativa que reuniu desenvolvedores, artistas e educadores em torno do tema “Mar de Ideias – Cultura Oceânica no Ceará”. O Programa de Cultura Digital ficou com o 1º e 2º lugar da competição, com os respectivos jogos “O Oceano Começa Aqui” (Equipe BJ Devis) e “Mar à Dois” (Equipe Quintura Digital). Ambas as equipes fazem parte do Curso Técnico em Programação de Jogos Digitais.

Com talento, criatividade e muita dedicação, as turmas colocaram o território do Bom Jardim em destaque no cenário dos jogos cearenses / Reprodução: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece) do Governo do Estado do Ceará.

Para Alexa Sousa, estudante que faz parte da equipe BJ Devis, a premiação teve caráter coletivo de todos que participaram da jornada. “Quando subi para receber o prêmio, o choro simplesmente veio. Foi algo muito forte. Não é só uma premiação, é a prova que quando a periferia ocupa esses espaços, a gente brilha”, conta a programadora e game designer.

Vladson Alves, ilustrador e animador do premiado “Mar à Dois”, considera o destaque como referência para mostrar as produções digitais periféricas. “É sobre tirar mais os holofotes de grandes bairros referências em jogos e trazer para nossa casa, a periferia, mostrando que não existem coisas bem feitas só nos bairros nobres”, discorre Vladson. 

Além do Game Jam CE, o Programa ficou em 3º lugar na Mostra Ceará Jogos. Desenvolvido por adolescentes do Núcleo Criativo, o jogo Animal Wish ficou em na terceira posição da categoria Iniciantes. O game ainda está em produção, mas sua primeira versão está disponível para jogar pelo link: https://roguefairyacademy.itch.io/animals-wish

Na Cena Animada

Trazer o cinema da periferia para fora de festivais foi uma das atividades potencializadas pelo Programa de Audiovisual do CCBJ. A Mostra Cine Lab BOMJA reuniu curtas-metragens cearenses que atravessam diferentes territórios, tempos e sensibilidades. Além da mostra, o Programa de Audiovisual da ECA em pareceria com o REMA (Repositório da Memória e Arquivística Audiovisual do Grande Bom Jardim) expôs produções do Grande Bom Jardim no estande e a oficina de Animação de Papel com Dil Nascimento e Paulo Carter, este último formado pela última turma do Extensivo em Audiovisual.

Na oficina, foi conversando sobre cinema, focando nos princípios de animação e construção óptica. Os adolescentes, enquanto isso, desenhavam e pintavam. “A ideia mesmo é que despertasse a curiosidade sobre animação, mas dizer que também é possível fazer animação em Fortaleza e que tem animadores muito talentosos da periferia da cidade”, explica Paulo Carter. 

As produções audiovisuais expostas na mostra não-competitiva compreendiam a região do Grande Bom Jardim, outras periferias da Cidade e o interior do Ceará. A iniciativa amplia as perspectivas de um cinema fora do eixo. Apresentando as potências das produções audiovisuais periféricas. Na categoria “animações”, tiveram as obras “Maré Braba” do Instituto Terramar, “Fotossíntese” de Rodrigo Viveiro e “Arca D’água” de Paulo Carter.

O Programa de Audiovisual, até o presente momento, possui nove produções presentes no REMA, apresentados no Mural da Feira do Conhecimento  / Reprodução: Centro Cultural Bom Jardim

Para Elena Meirelles, coordenadora do programa, a presença na feira foi essencial para informar ao público sobre as formações do equipamento e a riqueza audiovisual da região. “Acho que isso é o interessante desse espaço da feira para um público muito amplo. Tinham muitas escolas, muitos jovens, muitos adolescentes que acabaram conhecendo esse espaço de formação, abrindo os horizontes de possibilidades”, conta. 

Sobre o Programa de Audiovisual

O programa vem com o compromisso de formar profissionais e artistas, mas também espectadores, ouvintes e leitores críticos, que possuirão as ferramentas necessárias para contarem suas histórias e utilizar a linguagem para visibilizar as mais diversas existências de corpos, opiniões, modos de vida, cosmovisões e expressões identitárias. O ensino de audiovisual na periferia traduz ainda a importância de contestar os estigmas de representação da mesma nos veículos de comunicação hegemônicos, perpetuadora de diversas formas de violência e aniquiladora das possibilidades de existência plural e diversa inerente a qualquer e a toda população.

Sobre o Programa de Cultura Digital

O programa tem como objetivo a democratização do acesso às tecnologias digitais e à formação artística neste campo criativo e, para isso, utiliza somente softwares livres em todos os seus processos formativos e nas criações de arte digital e jogos. O CCBJ tem atuado no apoio, no incentivo e no fortalecimento da Cultura Digital, através do oferecimento de cursos básicos e percursos formativos que dialogam com as experiências culturais vivenciadas no ambiente virtual. Com a participação nas formações, a comunidade tem a oportunidade de passar da condição de consumidores a criadores de conteúdo e difusores do conhecimento.

Embora o conceito de Cultura Digital seja amplo, este programa visa atender as demandas de um Centro Cultural com uma história no campo artístico, existindo um direcionamento da área para alguns tópicos como: inclusão; novas mídias; linguagens eletrônicas; suporte e integração a outras áreas.

O desejo de se comunicar por meio da arte da dança é partilhado entre todos os espaços e movimentos. Para intercambiar os ritmos, o Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), recebeu os estudantes da São Paulo Escola de Dança. O momento foi uma realização da Escola de Cultura e Artes (ECA-CCBJ) através do Programa de Dança.

Os estudantes tiveram guiada ao equipamento, seguida de bate-papo com a turma do 6º ano da Formação Básica de Longa Duração em Dança e do Núcleo Criativo em Dança. O grupo também teve aula de introdução às danças urbanas com a turma. A visita contou com a presença de Flávio Lima, coordenador dos cursos regulares (vespertino), e Rafaela Zavisch, coordenadora de produção.

Ampliando os Passos

Sofia Vianna se formou em 2024 pelo Curso Técnico em Dança e atualmente é monitora de outras turmas. A dançarina relata que o encontro com os estudantes foi um espaço de trocas de histórias e vivências da arte. Além de abrir novas perspectivas e futuras parcerias.

Silvana Marques, coordenadora do Programa de Dança do CCBJ, aponta que o momento foi bastante potente para os estudantes do equipamento e para a turma de São Paulo. “Quando trocamos vivências com pessoas de outros lugares, aprendemos novos jeitos de nos mover e também a observar o outro”, explica Sofia. 

De acordo com Sofia, a São Paulo Escola de Dança destacou a importância do CCBJ como um equipamento aberto e de livre acesso ao público. Possibilitando uma maior confluência de ritmos e saberes gratuitamente. “Sempre gostei muito de dançar. Assim que tive a chance, pedi para minha mãe me colocar no curso básico, foi um passo importantíssimo na minha trajetória”, relata a monitora.

De acordo com Flávio Lima, coordenador dos curso regulares da Escola, a dança contemporânea aborda uma constante transformação do individuo de forma física o mental. O forte desejo deve passar por mediações e interações, sendo esse uma das funções importantes do aprendizado. “A função da formação é, sobretudo, preparar o corpo e a mente para a continuidade da aprendizagem: um corpo organizado, coordenado e, acima de tudo, flexível mentalmente, capaz de se deixar atravessar por novas experiências que surgirão ao longo da vida profissional”, explica Flávio.

Flávio Lima considera que o encontro foi importante para ampliar rede de conexões e olhar além do próprio território, percebendo a rica diversidade cultural de cada lugar. “Essa vivência reforçou a ideia de que cada território dança de um modo singular, expressando suas raízes e modos de ser por meio do corpo”, conta o coordenador.

Sobre o Curso Técnico em Dança

O Curso Técnico em Dança (CTD) é uma iniciativa pioneira na formação técnica de artistas da dança no Ceará. Criado em 2005, o curso marcou um passo importante na profissionalização da área no Estado, sendo fruto da parceria entre a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult/CE), o Instituto Dragão do Mar (IDM) e o Senac.

Desde 2013, o CTD passou a integrar a grade formativa da Escola Porto Iracema das Artes. Em 2019, ganhou uma nova sede no Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), com a abertura na Escola de Cultura e Artes do CCBJ.

Em 2024, foi iniciada a 3ª Turma do CTD no CCBJ, reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à formação técnica e o fortalecimento da dança como linguagem artística e campo de trabalho.

“Mar de Ideias – Cultura Oceânica no Ceará” é o tema da primeira Game Jam CE, organizada pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece). Com 13 participantes, o Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerido pelo Instituto Dragão do Mar, representou o Grande Bom Jardim no evento.

Os desenvolvedores tiveram 48 horas ininterruptas no Instituto de Ciências do Mar (Labomar-UFC) para realizar a atividade. Ao todo, participaram 16 equipes e foram desenvolvidos 10 jogos, com três deles sendo feitos pelo CCBJ: “Mar a Dois”, “O Oceano Começa Aqui” e “Um Mar de Caras Estranhos”. O resultado será divulgado na Feira do Conhecimento 2025, de 6 a 8 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará.

A participação do equipamento aconteceu pelo Programa de Cultura Digital, promovido pela Escola de Cultura e Artes (ECA-CCBJ) entre os dias 26 e 28 de setembro. A turma do Curso Técnico de Programação em Jogos Digitais teve destaque na participação do evento.

Para Diêgo Barros, coordenador do Programa de Cultura Digital do CCBJ, as formações desse programa são essenciais para consolidar a presença do território do Grande Bom Jardim no mercado de jogos do Ceará. “Até porque somos um polo de desenvolvimento aqui da cultura digital, da arte digital e também de jogos. Então a gente acaba sendo uma referência nesse sentido”, explica.

O que é uma Game Jam?

Game Jam é uma maratona de desenvolvimento de jogos eletrônicos. Na qual os integrantes têm entre 24 e 72 horas para produzir, conforme o tema proposto. Para essa primeira edição do evento estadual, a temática consistia em transformar a ciência ecológica em uma prática popular e lúdica. 

O Programa de Cultura Digital já havia passado por dois eventos da GAMEJAM Edition, realizados pela Hero Games Brasil. A primeira participação do CCBJ aconteceu na sexta edição, em formato remoto, no ano de 2021. A última ocorreu em 2024, com o equipamento sendo um dos polos presenciais, junto com Centro Universitário Farias Brito (FBUNI).

Na Game Jam CE, as equipes do Bom Jardim optaram por usar softwares livres aprendidos no curso, como Godot Engine, Inkscape, Krita, Gimp e Libresprite. A maratona teve apoio de mentores, técnicos e palestrantes para apresentar referências e conceitos, orientando as equipes na etapa de criação.

A participação do CCBJ é importante para a troca de conhecimentos entre instituições e grupos que realizam jogos eletrônicos. Além disso, possibilita reafirmar o equipamento e as periferias como importantes espaços de produção e circulação da cultura digital. Todos os jogos estão disponíveis na plataforma https://itch.io/jam/game-jam-ce-mar-de-ideias.

Confira sobre como foi as produções dos jogos

“Auxilie os dois cientistas especialistas em oceanografia, Carlos e Dani, a concluir mais um dia de pesquisa na costa de Fortaleza!”. Essa é a premissa do jogo cooperativo “Mar a Dois”, desenvolvido pela equipe Quintura Digital. A ideia principal é mostrar que o compromisso com a preservação das praias e do mar não são feitos de forma individual e sim coletivamente.

As movimentações de Carlos e Dani ocorrem no mesmo teclado, facilitando o acesso a experiência digital / Reprodução: https://itch.io/jam/game-jam-ce-mar-de-ideias

A construção do jogo também aconteceu de forma cooperativa. Vladson Alves, ilustrador e animador do projeto, partilha que o jogo surgiu a partir de uma palestra formativa no Labomar-UFC acerca da poluição oceânica. A produção passou por implementações de ideias e testes de jogabilidade.

Para Jorismar Barroso, produtor de “Mar a Dois”, o maior desafio foi a gestão de tempo para a criação do game. “Quando chega na metade do projeto, é aí que cai a ficha e começa a corrida contra o tempo”, explica o programador. A equipe acredita que é importante que o CCBJ esteja presente nesses eventos para entregar um bom produto partindo de um equipamento cultural periférico.

Em “Mar a Dois” você pode coletar lixo, ajudar animais em situações de perigo e mais / Reprodução: https://itch.io/jam/game-jam-ce-mar-de-ideias

Para o resgate e a limpeza da vida costeira, não se deve esperar somente as ações da autoridade, o tempo é crucial. Na pele de Cleomar, o jogo “O Oceano Começa Aqui” apresenta um sistema de aventura embaixo d’água, para combater a poluição marítima. A produção foi realizada pela Equipe BJ Devis, protagonizada por estudantes e professores do ECA-CCBJ.

A personagem Cleomar não é fictícia, ela é referência na atuação pelo quilombo do Cumbe, localizado em Aracati. A ativista constrói a luta em defesa dos mangues, ecossistemas de encontro entre rio e oceano, além de ser voluntária de projetos que realizam limpezas em praias. Alexa Sousa, programadora e designer do projeto, explica que a inspiração parte de representar um protagonismo local e efetivo.

A reprodução de Cleomar foi realizada com autorização / Reprodução: https://itch.io/jam/game-jam-ce-mar-de-ideias

O tempo durante uma Game Jam é essencial para testagem e correção de erros, conhecidos popularmente como bugs. Quem passou por essa sensação foi Felipe Vieira, programador do projeto, que esteve às 48 horas no espaço de produção. Mesmo sendo sua primeira experiência em uma maratona, o planejamento da equipe foi importante para a execução do jogo. 

“Além do desafio do tempo, não tivemos muitas dificuldades para preparar o produto final. Isso provavelmente aconteceu porque já estávamos pensando na ideia do nosso jogo antes da Game Jam realmente acontecer”, explica Felipe. O principal desafio foi um problema com a cena inicial do jogo (cutscene) ao qual Alexa Sousa teve de refazer a apresentação. Foi um sufoco, mas deu certo no final”, comenta.

A Equipe BJ Devis focou em criar uma experiência educativa e com acessibilidade. O jogo conta com legendas e dublagens das ações, cenas e tutoriais. A movimentação por meio do mouse, ao invés do clique, auxilia pessoas com mobilidade reduzida.

O jogo possui elementos que aumentam ou diminuem a velocidade de Cleomar / Reprodução: https://itch.io/jam/game-jam-ce-mar-de-ideias

Como apresentar para as crianças animais marinhos com aparência peculiar, mas que fazem diferença na ecologia marinha? Pensando nisso, “Um Mar de Caras Estranhos” foi produzido para ser um jogo educativo 3D e online. O projeto foi desenvolvido pela Equipe Brincolar Games e foi utilizado a base do jogo Roblox. 

 Um Mar de Caras Estranhos tem previsão de desenvolvimento para além da Game Jam / Reprodução: https://itch.io/jam/game-jam-ce-mar-de-ideias

A experiência de participar de uma Game Jam em grupo foi a primeira de Gabura, professor do Programa de Cultura Digital. “Mas eu nunca tive um grupo, né? Assim, porque é muito comum o pessoal ir em grupo, seja das faculdades ou de amigos”, relata Gabura. Na maratona, o docente contou com a companhia da sua esposa, Daléte Cavalcante, e Julie Valentine, produtora da Ação Cultural do CCBJ. 

Julie Valentine não tinha experiência com programação de jogos, mas utilizou da game jam para florescer essa habilidade, colaborando com a pesquisa, produção e trilha sonora. Mesmo sem formação técnica, Julie afirma que foi um diferencial estar presente em uma equipe participativa.

“Acredito que estar em uma equipe onde tem um espaço onde você possa colaborar e onde as pessoas são ouvintes entre si e procuram complementar dentro do que cada uma sabe fazer”, complementa a produtora. A colaboração foi importante para conciliar os horários de trabalho de Gabura com a realização do jogo, possibilitando a entrega do material.

O jogo foi desenvolvido para crianças de 7 a 12 anos, visando estimular a comunicação e o ensino de forma lúdica. A perspectiva para o futuro é profissionalizar ainda mais essa linha de produção de jogos. 

O jogo também está configurado para funcionar em Realidade Virtual, testado no Meta Quest 3s./ Reprodução: https://itch.io/jam/game-jam-ce-mar-de-ideias

O programa tem como objetivo a democratização do acesso às tecnologias digitais e à formação artística neste campo criativo. O CCBJ tem atuado no apoio, no incentivo e no fortalecimento da Cultura Digital, através do oferecimento de cursos básicos e percursos formativos que dialogam com as experiências culturais vivenciadas no ambiente virtual. Com a participação nas formações, a comunidade tem a oportunidade de passar da condição de consumidores a criadores de conteúdo e difusores do conhecimento.

Embora o conceito de Cultura Digital seja amplo, este programa visa atender as demandas de um Centro Cultural  com uma história no campo artístico, existindo um direcionamento da área para alguns tópicos como: inclusão; novas mídias; linguagens eletrônicas; suporte e integração a outras áreas.

Serviço

1º GAME JAM CE – PRODUÇÕES DO CCBJ

“Mar a Dois”

Equipe: Quintura Digital (Vladson Alves, Hermen Jame, Dayvison Bezerra, Anderson Santos e Jorismar Barroso)

Gênero: Puzzle

Onde jogar: https://jorismarbarroso.itch.io/maradois 

“O Oceano Começa Aqui”

Equipe: BJ Devis (Felipe Vieira , Alexa Sousa, Vanessa Hilario, Rômulo Jardim e Isabele Carvalho)
Gênero: Aventura

Onde jogar: https://felp-2006.itch.io/projeto-teste 

“Um Mar de Caras Estranhos”

Equipe: Brincolar Games (Dálete Cavalcante, Gabura e Julie Valentine)

Gênero: Educacional

Onde jogar: https://gabura.itch.io/mar-de-caras-estranhas 

Quando foi produzido: 26 a 28 de setembro de 2025

Resultado: Na Feira do Conhecimento 2025, de 6 a 8 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará.

Para a dança, cada gesto e ritmo é encenado como um ato político, ancestral e vivo. Neste caminho, o Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerido pelo Instituto Dragão do Mar, promove a 3º Mostra Pulsar nos dias 10 e 11 de outubro.  O evento reúne cinco trabalhos cênicos produzidos pela III Turma do Curso Técnico em Dança (CTD) da Escola de Cultura e Artes (ECA-CCBJ). 

As performances apresentadas são “CENSURADES”, “LANÇA”, “NAGARMALEY INTRO”, “PUTÍFERES” e “O SOM QUE ATRAVESSA”. Trazendo influências da dança charme, performance, funk, reggae, waacking, jazz, dança contemporânea, gestualidades líricas, catárticas, ritualísticas, entre outros.

Para Fellipe Resende e Thiago Torres, professores-orientadores da ação formativa, a terceira mostra se destaca por uma produção de caráter colaborativo e transversal. “Antes de serem partilhadas com o público, as composições foram partilhadas entre todes da turma, no sentido de haver uma postura aberta e porosa, perspectivas e leituras sensíveis do outro”, partilham os artistas-docentes.

A Escola de Cultura e Artes do CCBJ desenvolve atividades de pesquisa e criação artística na região do Grande Bom Jardim. Para fortalecer o acesso e a difusão da dança, a mostra é um espaço para experimentação e apresentação do processo criativo estimulado ao longo do curso. O momento também serve como ponte entre territórios de convivência e atravessamentos político-afetivos.

Corpos em encontros por meio da Arte Cênica

Cabulosa, graduanda em Dança pela Universidade Federal do Ceará (UFC), entrou na Primeira Turma do Curso Técnico em Dança do equipamento. Ela enxerga esse primeiro momento como uma fase de testes, principalmente com a chegada da pandemia de COVID-19. Os produtos da 1ª Mostra Pulsar foram videodanças, com a solenidade de formatura realizada virtualmente.

Mesmo com o afastamento presencial, o curso técnico ajudou Cabulosa a encontrar e aproximar corpos, ritmos e sentidos. “Foi um período onde eu voltei a me enxergar, a conhecer mais referências negras na dança e a partir daí reencontrar sentidos nesse espaço que por algum momento se perdeu também”, reflete. 

Atualmente, a artista é monitora da 3ª Turma do Curso Técnico em Dança. Para ela, a Mostra é a possibilidade de colocar os desejos e as criações dos alunos da turma em cena.  “Então, eu vi os alunos da turma conversando e confabulando ideias. A Mostra Pulsar esse ano está muito esperada”, completa.

O Curso Técnico em Dança (CTD) é um marco na construção e fortalecimento da profissionalização da dança no Estado do Ceará / Reprodução: Centro Cultural Bom Jardim

A dança é a procura de espaço e movimento. Reconhecendo esse papel, o curso oferece eixos temáticos para dialogar técnica, cultura e práticas corporais. Os trabalhos apresentados discorrem sobre a ancestralidade e contemporaneidade, ampliando os horizontes do fazer artístico em dança na periferia.

Confira as Performances

“CENSURADES”

Em meio à luz e sombra, corpos se movem entre gestos que revelam e ocultam as marcas da censura, seja explícita ou velada. Sam Rodrigues e Nairim dividem a cena em criação coletiva, transformando experiências pessoais e aprendizagens em presença cênica, onde o silêncio imposto se converte em movimento e resistência.

“LANÇA”

Na interpretação solo de Sam Rodrigues, a dança se torna campo de enfrentamento entre medo, desejo e revolta. Partindo de perguntas sobre resistência, desistência e pertencimento, o corpo expõe suas vulnerabilidades e forças, revelando o conflito entre a vontade de se mostrar e o temor da reação.

“NAGAMARLEY INTRO”

Como anda a cabeça da artista? O que veríamos se fosse possível ampliar os sentimentos que atravessam anos de luta e afirmação de presença? A partir dessa provocação, Marley, da 3ª Turma do Curso Técnico em Dança do CCBJ, se lança em criação coletiva, transformando vivências pessoais e processos formativos em partilha cênica. 

“O SOM QUE ATRAVESSA”

As artistas Liisa Oliveira, Preta Luz, Letícia Santos, Gisela Antonieta e Bruna Rodrigues transformam o corpo feminino em território de denúncia e resistência. Em cena, gestos, silêncios e vocalidades revelam identidades ocultas e insurgentes, no qual cada movimento se afirma como presença política e memória viva.

“PUTÍFERES”

No palco, o transe se torna celebração e resistência. Corpos em ebulição se encontram, chocam e se reinventam no excesso, criando um território de contaminação e subversão. Dessa forma, Fer Diaz, Naí, Nega, Tyfanni Santos, Nyx, DaSilva, Nairim, Alexandre Fonseca convidam: que corpo nasce quando o seu Putífere encontra o nosso? 

Sobre o Curso Técnico em Dança

O Curso Técnico em Dança (CTD) é uma iniciativa pioneira na formação técnica de artistas da dança no Ceará. Criado em 2005, o curso marcou um passo importante na profissionalização da área no Estado, sendo fruto da parceria entre a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult/CE), o Instituto Dragão do Mar (IDM) e o Senac.

Desde 2013, o CTD passou a integrar a grade formativa da Escola Porto Iracema das Artes. Em 2019, ganhou uma nova sede no Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), com a abertura na Escola de Cultura e Artes do CCBJ.

Em 2024, foi iniciada a 3ª Turma do CTD no CCBJ, reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à formação técnica e o fortalecimento da dança como linguagem artística e campo de trabalho.

Serviço:

3ª MOSTRA PULSAR

Apresentações: Censurades, Lança, Nagarmaley Intro, Putíferes e O Som Que Atravessa.

Datas: 10 e 11 de outubro de 2025

Horário: 19h

📍 Centro Cultural Bom Jardim

Classificação: a partir de 16 anos

FICHA TÉCNICA:

Intérpretes-criadores:

Alexandre Fonseca Gonçalves

Gisely Silva Araújo

Antônia Letícia Vasconcelos dos Santos

Bruna Letícia Rodrigues da Silva

Delberth Augusto Carneiro da Silva

Émily Luise Martins da Silva

Fernando Dias Vieira

Geovana Bezerra Pereira

Iury Natasha Vieira de Oliveira

Marley Leonardo Francelino Maciel

Monalisa Gomes de Oliveira

Mírian de Freitas Oliveira

Naí Portela

Sam Rodrigues 

Sandriele Barbosa Nascimento dos Santos

Tyfanni dos Santos Rodrigues

Professores/orientadores: Fellipe Resende e Thiago Torres

Coordenação Pedagógica: Silvana Marques

Assistente pedagógica: Nayana Santos

Monitora: Cabulosa

As poesias do Grande Bom Jardim se juntam em acordes, batuques e canções. O Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará) gerido pelo Instituto Dragão do Mar, disponibiliza o EP “Cara Travessia” nas principais plataformas digitais de músicas. O projeto faz parte do trabalho de conclusão da II Turma do Curso Extensivo em Música da Escola de Cultura e Artes (ECA/CCBJ), que foi realizado em 2022.

A coleção conta com 7 faixas compostas por 13 artistas do CCBJ. Além do EP, o espetáculo “Cara Travessia” foi apresentado no Teatro Dragão do Mar, Teatro Marcus Miranda e Teatro José de Alencar. 

Na Escola de Cultura e Artes, os artistas são convidados a refletir suas questões que atravessam seus territórios a partir da música em um curso técnico. “Quando a gente acabou a segunda turma, a gente já estava tramitando na Seduc, já tinha construído o plano de curso que foi aprovado e agora virou técnico” conta Pedro Ernesto, coordenador do Programa de Música do Centro Cultural Bom Jardim.

Travessia de saberes, experiências e sonho

As letras potentes das músicas expressam sobre as identidades e dilemas do cotidiano na sociedade. Doroteia Ferreira, uma das concludentes do Extensivo em Música (ECA/CCBJ), reforça que “a gente quer trazer a nossa história, nossa ancestralidade, falar de onde a gente vem e de onde a gente vai, quais as periferias de onde viemos”. Ela reflete como a produção foi importante para trabalhar com a arte na periferia após o período da pandemia.

O EP começa com ritmo sútil na faixa “Apagão”, apresentando reflexões críticas sobre a sobrevivência no cotidiano. Em seguida, batidas sensoriais e recitação de poesia em “Novo Mundo” para reimaginar sonhos de novas perspectivas. As músicas “A História que Ninguém Conta” e “Navio Negreiro” compartilham as memórias da ancestralidade brasileira e debatem sobre a exploração da sociedade.

“Petrúcio” conta sobre trajetórias e saudades na periferia. Como ponto de ruptura para as opressões, a luta se estende na música “Chega”. Evocando festejos e bênçãos, o EP termina com a faixa “Mamãe Yemanjá”.

Lia Maia, compositora de “A História que Ninguém Conta”, reconhece a importância do curso para sua evolução profissional. “Sou fruto de uma safra de plantio do CCBJ e desejo que este espaço seja ampliado, oportunizando novos talentos a ter o contato com o novo.” A produção está disponível nas plataformas digitais.

Os cursos técnicos servem para potencializar a cultura e arte do Grande Bom Jardim / Reprodução: Centro Cultural Bom Jardim 

Serviço:

EP Cara Travessia 

II Turma do Curso Extensivo em Música da Escola de Cultura e Artes (ECA – CCBJ)

Onde ouvir: Amazon Music, Apple Music, Deezer, Spotify e Youtube Music